Copio aqui uma crítica do site Playtv:
28/10/2011 12:38 - Por Daniel Mello
Produções que retraram o medo da população ante uma ameaça fora da realidade - como uma era do gelo, fim do mundo ou meteoro - geralmente agradam e são divertidas porque, bom, são ameaças bem irreais mesmo. Mas quando a trama envolve um vírus altamente letal transmitido da mesma forma que a gripe comum, tudo fica muito mais perturbador. E melhor ainda com um elenco de primeira e a ótima direção de Steven Soderbergh (de Traffic e Eren Brockovich).
Em Contágio, a executiva Beth Enhoff (Gwyneth Paltrow), que estava em Hong Kong a trabalho, morre sob circunstâncias misteriosas após voltar para casa em Minneapolis. Depois que o filho dela com Mitch (Matt Damon) também não resiste a uma febre alta, os casos não deixam dúvida: um vírus tão perigoso quanto a gripe espanhola está se espalhando rapidamente. Os sintomas são parecidos com os de uma gripe forte, mas na grande maioria dos casos, os infectados vêm a óbito em questão de dias.
Os escalados para tentar buscar uma solução estratégica para não alarmar a população e organizar locais para receber os doentes são o Dr. Ellis Cheever (Laurence Fishbourne), diretor do Centro de Prevenção de Doenças de Atlanta, e sua colega Erin Mears (Kate Winslet), especialista em inteligência.
Spoiler
Como é um filme catástrofe, há o cuidado em mostrar desde a falta de sacos para guardar cadáveres até a própria escassez de lugares para enterrá-los. Os enfermos mais apressadinhos se juntam para saquear supermercados, como se fosse adiantar alguma coisa - aí a gente lembra que na hora do desespero, não importa da onde a pessoa vem, nem a classe social, e fala mais alto o instinto de sobrevivência. De quebra, como os serviços públicos foram paralisados por medo do contágio, o lixo se acumula cada vez mais nas ruas.
Se o objetivo de Soderbergh era fazer uma película desesperadora para quem assiste, deu muito certo. Com um elenco de primeira e sensibilidade suficiente para fazer a gente sair do cinema assustado de verdade, a missão foi cumprida com louvor. Contágio é mesmo uma produção para ser lembrada como um dos pontos altos da carreira do diretor americano - que, por sinal, prometeu se aposentar em breve das telonas.
São exatos 106 minutos de filme, mas o espectador não ficará cansado porque a história não se prende muito aos dramas individuais de cada personagem. Há a história de Mitch, viúvo da primeira vítima do vírus, que precisa lidar com a perda e, ainda por cima, dar uma força à filha, o impasse do Dr. Cheever, acusado de tentar beneficiar sua própria esposa usando recursos do governo, além das paranoias do jornalista independente Krumwiede: tudo isso flui bem, com a mesma rapidez com que o vírus se espalha.
Sign In
Create Account


Voltar ao topo









